Licenciamento vs. cessão: qual é a diferença e quando usar cada um
O licenciamento e a cessão são os dois mecanismos de exploração comercial de uma marca por terceiros — mas têm consequências jurídicas completamente diferentes.
- Licenciamento: o titular mantém a propriedade da marca e autoriza o uso por terceiros, com ou sem exclusividade, por prazo determinado e em condições específicas. O licenciante pode retomar a marca ao final do contrato.
- Cessão: o titular transfere definitivamente a propriedade da marca ao cessionário. É uma venda da marca — irreversível, salvo por disposição contratual específica.
O licenciamento é o modelo mais comum em franquias, colaborações de marca (co-branding), licenciamento de personagens e merchandising. A cessão é usada em aquisições empresariais, reorganizações societárias e vendas de portfólios de marcas.
Uma cessão mal planejada é difícil de reverter. Uma licença mal estruturada pode resultar em perda do controle da marca sem a intenção de ceder. Definir corretamente a operação antes de assinar qualquer documento é o passo mais importante.
O que o contrato de licenciamento precisa conter
- Identificação das marcas licenciadas: número do registro INPI, classe NCL, vigência do registro.
- Território: cidades, estados ou países onde o uso é autorizado.
- Exclusividade: se o licensee é o único autorizado naquele território ou se o licenciante pode licenciar para outros concorrentes.
- Prazo: duração da licença e condições de renovação.
- Classes e produtos: quais produtos ou serviços podem ser comercializados sob a marca.
- Padrões de qualidade: especificações técnicas, materiais, comunicação e identidade visual que o licensee deve respeitar.
- Remuneração: royalties percentuais (sobre faturamento ou lucro), mínimos garantidos, ou licença fixa por período.
- Sublicenciamento: se o licensee pode ou não autorizar outros a usar a marca.
- Rescisão: causas de rescisão imediata (descumprimento de qualidade, inadimplência, uso indevido da marca).
- Pós-contratual: não concorrência, não uso da marca e destinação de estoques após o encerramento.
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Quero estruturar um contrato de licenciamento da minha marcaRoyalties: como calcular e quais são as implicações fiscais
Não há uma fórmula única para royalties de marca — o percentual varia por setor, pelas características da marca, pelo volume esperado e pela posição de mercado. O mercado brasileiro pratica, em geral, faixas distintas por segmento.
- Referência de mercado: royalties de marca variam, em geral, de 1% a 10% sobre o faturamento líquido — setores de luxo e marcas de alto reconhecimento podem chegar a percentuais maiores.
- Mínimos garantidos: é comum estabelecer um royalty mínimo anual independentemente do faturamento — para assegurar que a licença tenha valor econômico mínimo.
- Pagamentos ao exterior: contratos com licenciantes no exterior exigem registro no INPI (para dedutibilidade) e no BACEN (para remessa de royalties). Há limites de dedutibilidade definidos pela Receita Federal por setor.
- IR na fonte: remessas de royalties ao exterior estão sujeitas a IRRFonte de 15% (ou 25% para residentes em jurisdições de tributação favorecida).
Controle de qualidade: a obrigação que nenhum licenciante pode ignorar
A Lei da Propriedade Industrial (art. 139) exige que o licenciante de marca exerça controle efetivo sobre a qualidade dos produtos ou serviços comercializados sob sua marca. Não é apenas uma cláusula contratual — é uma exigência legal cuja violação tem consequências graves.
Uma marca cuja identidade não é controlada pelo licenciante perde sua função distintiva. O INPI e os tribunais podem reconhecer o abandono do registro por 'licença nua' — situação em que a marca está formalmente registrada, mas o titular não exerce controle sobre seu uso, tornando-a genérica ou enganosa para o consumidor.
- Definir no contrato os padrões de qualidade de forma objetiva e verificável — com métricas, especificações técnicas e protocolos de comunicação.
- Realizar auditorias periódicas (presenciais ou documentais) para verificar o cumprimento dos padrões.
- Registrar as auditorias — a documentação do controle de qualidade é a prova de que o licenciamento não é uma 'licença nua'.
- Prever sanções e rescisão para descumprimento de padrões — e aplicá-las quando necessário.

