O que o Decreto do E-commerce exige que a loja informe
O Decreto 7.962/2013 é o principal instrumento legal que regula as relações de consumo no comércio eletrônico. Ele complementa o CDC e estabelece obrigações específicas para lojas virtuais, independentemente do porte ou do volume de vendas.
- Identificação do fornecedor: nome empresarial completo, CNPJ, endereço físico e dados de contato — inclusive no rodapé da loja.
- Características do produto: descrição completa, especificações técnicas, validade (se houver) e riscos à saúde ou segurança.
- Preço completo: o preço exibido deve incluir todos os encargos — frete, seguro e impostos — antes da finalização do pedido.
- Condições de pagamento: parcelas, juros, meios de pagamento aceitos e eventuais descontos.
- Disponibilidade: informar quando o produto está disponível em estoque e prazo de entrega real.
- Sumário do contrato: em contratos de adesão, um resumo das cláusulas mais relevantes deve ser apresentado antes da confirmação do pedido.
Política de troca, devolução e arrependimento
O direito de arrependimento é um dos pontos mais confundidos no e-commerce. O consumidor tem 7 dias corridos a partir da data de entrega do produto para desistir da compra — sem necessidade de apresentar qualquer justificativa. Nesse caso, a loja deve devolver integralmente o valor pago, incluindo o frete de ida.
O direito de arrependimento não se confunde com a garantia por defeito. A garantia legal é de 90 dias para produtos não duráveis e 90 dias para produtos duráveis — e o prazo começa a contar a partir da entrega. O consumidor pode exigir reparo, substituição ou devolução do valor pago quando o produto apresentar defeito dentro desse prazo.
- O que a loja pode definir: quem paga o frete de devolução em caso de arrependimento — a lei não é clara, mas o STJ tem entendido que a loja arca com os custos.
- O que a loja não pode fazer: condicionar a devolução à apresentação de nota fiscal original (quando o consumidor não a tiver), exigir que o produto retorne embalado ou recusar devolução por produto aberto.
- Prazo de reembolso: após receber o produto devolvido, a loja deve processar o estorno no mesmo prazo que o cartão de crédito permite — em geral, até a próxima fatura.
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Quero revisar os documentos legais da minha loja virtualLGPD no e-commerce: o que a política de privacidade precisa dizer
Toda loja virtual coleta dados pessoais: nome, e-mail, CPF, endereço de entrega, histórico de compras e dados de pagamento. A LGPD exige que o tratamento dessas informações seja baseado em uma das bases legais previstas — e que o cliente seja informado sobre como seus dados serão usados.
- Base legal para coleta: executar o contrato (enviar o produto) é a base mais natural — o cliente deve ser informado disso.
- Uso para marketing: e-mail marketing, remarketing e push notifications exigem consentimento explícito e separado.
- Compartilhamento com terceiros: processadoras de pagamento, transportadoras e plataformas de analytics devem estar listadas.
- Prazo de retenção: por quanto tempo os dados do cliente ficam armazenados após o encerramento da relação.
- Direitos do titular: como o cliente pode acessar, corrigir ou excluir seus dados — com canal de contato do DPO (encarregado de dados).
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem enviado notificações e iniciado processos administrativos contra empresas que não têm política de privacidade adequada — a conformidade com a LGPD não é opcional, mesmo para pequenas lojas.
O que os termos de uso protegem a loja — e o que não protegem
Os termos de uso bem elaborados protegem a loja em situações como: disputas sobre o produto entregue (se a descrição estava correta), problemas com entrega por culpa da transportadora (se a responsabilidade foi claramente delimitada), uso indevido de cupons e promoções e fraudes na compra.
O que os termos de uso não podem fazer: eximir a loja de responsabilidade por vícios do produto, afastar o direito de arrependimento, estabelecer foro exclusivo em comarca que dificulte o acesso do consumidor à Justiça, ou criar barreiras ao exercício de direitos garantidos pelo CDC. Essas cláusulas são nulas — os termos de uso não têm poder de revogar a lei.
Um conjunto bem estruturado de documentos para uma loja virtual inclui: termos de uso, política de privacidade, política de cookies, política de frete e entrega, e regulamento de promoções (quando houver). Cada documento tem uma função específica — consolidar tudo em um único arquivo confuso é um erro comum que dificulta a defesa em disputas.

