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Política de cookies e consentimento: o que o site precisa pedir, como pedir e o que acontece se não pedir

Núcleo de Comunicação | LEGALIST

10 min
Consumidor — Política de cookies e consentimento: o que o site precisa pedir, como pedir e o que acontece se não pedir

O banner de cookies virou commodity — mas a maioria dos sites coleta cookies de marketing e analytics sem ter base legal adequada ou sem oferecer ao visitante uma escolha real. A ANPD e os Procons têm intensificado a atenção sobre coleta de dados comportamentais e o consentimento genérico não cumpre mais a LGPD.

Pontos-chave

  • Cookies são arquivos armazenados no navegador do usuário que coletam dados de comportamento — e são considerados dados pessoais pela LGPD quando permitem a identificação do usuário.
  • Os cookies essenciais (sessão, carrinho de compras, autenticação) não exigem consentimento — eles são necessários para o funcionamento básico do site.
  • Cookies de analytics (Google Analytics, Hotjar, Microsoft Clarity) e cookies de marketing (Meta Pixel, Google Ads, TikTok Pixel) exigem consentimento explícito do usuário antes de serem ativados.
  • O consentimento deve ser livre, informado, inequívoco e granular — o usuário deve poder aceitar cookies essenciais e recusar os de marketing sem ser prejudicado por essa escolha.
  • Banners de cookies que têm o botão 'Aceitar' destacado e nenhum botão ou caminho evidente para recusar violam o princípio da livre escolha da LGPD.
  • Sites que coletam cookies de marketing sem consentimento adequado podem ser autuados pela ANPD e estão expostos a ações individuais por violação de dados pessoais.

Quais cookies precisam de consentimento e quais não precisam

Nem todos os cookies são iguais — e a LGPD faz uma distinção importante entre cookies que são estritamente necessários para o funcionamento do site e cookies que coletam dados para fins adicionais, como análise de comportamento e publicidade direcionada.

  • Cookies essenciais (não exigem consentimento): sessão de login, carrinho de compras, preferências de idioma, proteção CSRF, balanceamento de carga. Sem eles, o site não funciona.
  • Cookies de performance (exigem consentimento): Google Analytics, Hotjar, Microsoft Clarity, Heap — coletam dados sobre como o usuário navega no site.
  • Cookies de marketing (exigem consentimento): Meta Pixel, Google Ads, TikTok Pixel, LinkedIn Insight Tag — rastreiam o comportamento do usuário para exibir anúncios personalizados.
  • Cookies de preferência (geralmente exigem consentimento): armazenam preferências do usuário que não são estritamente necessárias para o funcionamento básico.

Um site que ativa o Meta Pixel antes de obter o consentimento do usuário está coletando dados pessoais (comportamento de navegação vinculado ao IP) sem base legal. Isso é uma violação direta da LGPD — e a penalidade pode ser aplicada tanto ao site quanto à plataforma de publicidade.

Como estruturar um banner de cookies que cumpre a LGPD

O banner de cookies não pode ser apenas decorativo. Para que o consentimento coletado através dele seja válido, ele precisa cumprir os requisitos de consentimento da LGPD: ser livre, informado, inequívoco e granular.

  • Livre: o usuário não pode ser penalizado por recusar cookies de marketing — o site deve funcionar normalmente se o usuário recusar tudo exceto os essenciais.
  • Informado: o banner deve descrever, de forma acessível, quais categorias de cookies estão sendo solicitadas e para qual finalidade.
  • Inequívoco: o consentimento deve ser um ato afirmativo — marcar uma caixa, clicar em 'Aceitar'. Continuar navegando no site não é consentimento válido.
  • Granular: o usuário deve poder aceitar algumas categorias e recusar outras — por exemplo, aceitar analytics e recusar marketing.

Banners que têm apenas um botão 'Aceitar tudo' sem alternativa para recusar são considerados não conformes. A LGPD exige que recusar seja tão fácil quanto aceitar — botões de tamanho, cor e posição equivalentes para as duas opções.

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Política de cookies: o documento que o banner referencia

Além do banner, o site deve ter uma política de cookies — um documento que explica, em detalhe, quais cookies são utilizados, quem os opera, qual é a finalidade, por quanto tempo ficam ativos e como o usuário pode gerenciá-los ou excluí-los.

  • Nome e operador de cada cookie: 'Google Analytics (_ga): operado pelo Google Ireland Ltd., finalidade: análise de tráfego'.
  • Duração: cookies de sessão (expiram ao fechar o navegador) vs. cookies persistentes (expiram em data definida).
  • Como excluir: instruções ou link para as configurações do navegador para exclusão de cookies.
  • Como revogar o consentimento: o usuário deve poder revogar o consentimento a qualquer momento tão facilmente quanto o concedeu — o banner deve ser reacessível.
  • Transferência internacional: se os cookies transmitem dados para servidores fora do Brasil (o que é o caso de Google, Meta e TikTok), isso deve ser declarado.

Gerenciamento técnico: como implementar corretamente

O consentimento precisa ser implementado tecnicamente — não apenas declarado na política. Isso significa que os scripts de analytics e de marketing só devem ser carregados após o usuário dar o consentimento para aquela categoria.

  • Google Tag Manager com modo de consentimento (Consent Mode v2): permite carregar tags apenas após o consentimento adequado.
  • Plataformas CMP (Consent Management Platform): ferramentas como Cookiebot, OneTrust e Usercentrics automatizam o gerenciamento de consentimento e geram log para conformidade.
  • Armazenamento do consentimento: o status de consentimento de cada usuário deve ser armazenado — se o usuário voltou ao site, o banner não deve reaparecer, mas as preferências anteriores devem ser respeitadas.
  • Verificação periódica: sempre que um novo cookie ou nova ferramenta de analytics/marketing for adicionada ao site, a política e o banner devem ser atualizados.

Sites que implementam o consentimento de cookies corretamente — com bloqueio técnico dos scripts até o consentimento — têm não apenas conformidade jurídica, mas também dados de analytics mais confiáveis: eles refletem o comportamento dos usuários que explicitamente consentiram, não de todos os visitantes.

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