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Acordo de sócios: o que precisa estar escrito para proteger a sua empresa

Núcleo de Comunicação | LEGALIST

12 min
Societário — Acordo de sócios: o que precisa estar escrito para proteger a sua empresa

O acordo de sócios é o documento que define, além do contrato social, as regras reais da convivência entre os sócios — e a ausência dele é a principal causa de disputas societárias prolongadas no Brasil.

Pontos-chave

  • O acordo de sócios é regulado pelo art. 1.093 do Código Civil e pelo art. 118 da Lei das S.A. (Lei 6.404/1976).
  • Diferente do contrato social, o acordo de sócios é confidencial e não precisa ser arquivado na Junta Comercial.
  • Cláusula de tag along garante ao sócio minoritário o direito de vender sua parte nas mesmas condições do majoritário.
  • Drag along permite ao majoritário obrigar o minoritário a vender junto em uma negociação de venda total da empresa.
  • Direito de preferência na venda de quotas deve ser previsto expressamente — sem ele, um sócio pode vender para qualquer terceiro.
  • O acordo de sócios deve prever o que acontece em caso de falecimento, incapacidade ou saída voluntária de qualquer sócio.

Acordo de sócios vs. contrato social: qual a diferença?

O contrato social define a estrutura formal da empresa perante o Estado — quem são os sócios, qual a participação de cada um e qual é a atividade da empresa. O acordo de sócios vai além: define as regras reais de convivência, tomada de decisão, entrada e saída de sócios, remuneração e o que acontece quando a relação se deteriora.

Enquanto o contrato social é público e arquivado na Junta Comercial, o acordo de sócios é confidencial. Isso permite tratar questões sensíveis — como critérios de avaliação da empresa em caso de saída — sem expor informações estratégicas a terceiros.

Empresas que operam apenas com contrato social, sem acordo de sócios, têm as regras mínimas legais. Que é exatamente o que menos protege quando a relação entre os sócios fica difícil.

Cláusulas essenciais que o acordo precisa ter

Direito de preferência na venda de quotas

Sem essa cláusula, qualquer sócio pode vender sua participação para terceiros sem que os demais sócios tenham chance de comprar. Isso pode introduzir na empresa uma pessoa que os outros sócios não escolheram — e não querem.

Tag along e drag along

O tag along protege o minoritário: garante que, se o majoritário vender sua parte, o minoritário pode vender nas mesmas condições e preço. O drag along protege o majoritário: permite que, em uma venda total da empresa, o comprador exija 100% das quotas — sem o risco de um minoritário bloquear a transação.

Critérios de avaliação da empresa

Definir previamente o método de cálculo do valor da empresa em caso de saída de um sócio — múltiplo de EBITDA, patrimônio líquido ajustado, laudo de avaliação por especialista neutro — evita que essa discussão aconteça durante o conflito, quando cada parte defende a metodologia mais favorável a ela.

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Regras de governança e tomada de decisão

Quais decisões exigem unanimidade? Quais podem ser tomadas por maioria simples? Quem pode assinar contratos acima de determinado valor sem aprovação dos outros sócios? Essas perguntas precisam ter respostas escritas antes que surja a necessidade de respondê-las sob pressão.

  • Definir quórum qualificado para decisões estratégicas (nova sede, expansão, endividamento relevante).
  • Estabelecer limite de alçada individual para cada sócio-administrador.
  • Prever mecanismo de desempate em votações igualitárias (árbitro, período de reflexão, mediação).
  • Regular o pró-labore de cada sócio e as condições para sua revisão.

Saída, falecimento e dissolução: as cláusulas que ninguém quer discutir

As situações mais delicadas — saída voluntária, falecimento de sócio, incapacidade superveniente e dissolução da sociedade — são exatamente as que as pessoas menos querem discutir quando o negócio está indo bem. Mas são precisamente as que mais custam quando não estão previstas.

Sem cláusula de saída clara, o sócio dissidente tem direito de exigir a dissolução parcial judicial da sociedade — um processo que pode demorar anos e destruir valor que todos os sócios teriam interesse em preservar.

O melhor momento para negociar essas regras é quando a relação está em bons termos e o negócio está crescendo. Depois que o conflito está instaurado, a discussão sobre as regras de saída é sempre mais cara e mais desgastante.

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